terça-feira, 21 de novembro de 2017

Lisboa: conferência sobre cinema e cristianismo






Mais de duas dezenas de comunicações. mesas-redondas e conferências de abertura (Catherine Wheatley) e de encerramento (José Tolentino Mendonça) ocupam os três dias da conferência sobre cristianismo e cinema, que decorre a partir de sexta-feira e durante todo o fim de semana em Lisboa.
A iniciativa é do Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa (integrado no projeto de investigação “Cinema e Mundo: Estudos sobre Espaço e Cinema”), Instituto de Filosofia da Nova da Universidade Nova de Lisboa, Centro de Estudos de Comunicação e Cultura e Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião. estes dois últimos da Universidade Católica Portuguesa. A língua de trabalho será o inglês, decorrendo uma parte do evento na Faculdade de Letras e outra na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.
A conferência, subordinada ao tema "Movimento como imobilidade", «visa examinar as ligações entre o cinema e o cristianismo», focando-se naqueles «aspetos estéticos que, embora não rejeitem representações cinematográficas de temas religiosos, dão primazia ao estilo cinematográfico e à experiência cinematográfica».
No encerramento do primeiro dia está prevista uma mesa redonda com as intervenções de Inês Gil, professora de Cinema da Universidade Lusófona e membro do Grupo de Cinema do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, Tiago Cavaco, pastor Batista, e Gerard Loughlin, da Universidade de Durham).
Antes, no início dos trabalhos, três conferências detêm-se na obra do cineasta russo Andrei Tarkovski (1931-1986), especialmente sobre cristianismo e fé, ícones e busca e redenção espiritual.
[Mais informação no site do S. N. Pastoral da Cultura, que foi a fonte desta notícia.]

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Modas e bordados: precisamos de um museu do traje eclesiástico?

Comentário


O cardeal Raymond Burke, no início do mês, em Fátima (foto reproduzida daqui)

Na edição de hoje do Jornal de Notícias, publiquei um texto que aqui se reproduz, acrescido de dois parágrafos, omitidos na versão do jornal, por razões de espaço:

No início do mês, houve vários desfiles de rendas e bordados de moda eclesiástica em Portugal: em Fátima, Mafra e Lisboa, o cardeal norte-americano Raymond Burke, defensor (e praticante) do rito tridentino da liturgia, celebrou várias vezes a eucaristia. Ou, como ele e outras pessoas preferem dizer (numa linguagem que pretende demarcar tudo o “sagrado” e o “profano”), a “santa missa”. Até aí, tudo certo.
O problema está no aparato em volta do rito que se seguia a cada celebração. Num filme que circula em várias páginas da internet (aqui, por exemplo), pode ver-se o cardeal Burke, no final da celebração da eucaristia na Basílica da Santíssima Trindade, em Fátima. Durante nove minutos e meio, vemos uma sucessão de gestos de tirar e pôr, vestir e calçar: rendas, sotaina, batina, casula, sobrepeliz rendada, luvas, tricórnio... o mostruário de vestes é extenso, numa sessão que parece saída de um museu que se julgava encerrado em curiosidades históricas.
Teria a última ceia de Jesus sido esta passerelle? A acreditar na narrativa do evangelho segundo São João, não terá sido esse o caso, bem pelo contrário: “Enquanto celebravam a ceia, Jesus (...) levantou-se da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e atou-a à cintura. Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que atara à cintura. (...) Depois de lhes ter lavado os pés e de ter posto o manto, voltou a sentar-se à mesa e disse-lhes: ‘Compreendeis o que vos fiz? (...) Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também. (...) Uma vez que sabeis isto, sereis felizes se o puserdes em prática.” (João 13, 3-17)
Quando se vai à missa, vai-se a um encontro “vivo, não a um museu”, disse o Papa Francisco, nem de propósito, na audiência da passada quarta-feira, dia 15. O que é dramático, e deveria motivar a reflexão, é que estes rituais e vestes atraem muita gente – e, também, muita gente nova. Tal como sucede em outros âmbitos sociais e culturais, vivemos hoje tempos em que o que fascina é o rito, a forma, o aparato, a aparência – quase sempre, como manifestações de poder ou do poder do dinheiro. Seja na televisão, nas praxes académicas, na hierarquização profissional, na política, o que conta é a forma e a ostentação e não o que se é, o que se pretende ou o que se pensa. Aliás, a dado momento do filme, parece estarmos a ver um desfile de praxe académica. Quase no final, uma menina posa para a fotografia, fazendo lembrar os concursos de televisão em que as crianças são usadas como extensões ou bonecos nas mãos dos adultos.

sábado, 18 de novembro de 2017

Da Mundial dos Pobres abre no Vaticano semana debruçada sobre as questões sociais

 ALBERTO PIZZOLI / AFP
O Papa Francisco junta este domingo alguns milhares de pessoas fragilizadas e necessitadas de apoio e almoçará no Vaticano com 1500 de entre eles. Esse gesto inscreve-se no Dia Mundial dos Pobres, criado por iniciativa deste Papa, e que tem por lema “Não amemos com palavras, mas com obras”, extraído da 1ª Carta de João.
Francisco celebrará a eucaristia não apenas com pessoas pobres de Roma e de Itália, mas também com delegações que foram de diversos países, acompanhadas por voluntários de organizações que habitualmente trabalham com elas. Depois do Angelus, segue-se o almoço: uma parceria feita com várias dezenas de restaurantes da cidade de Roma possibilitará que cada um receba 10 pessoas carentes, as quais poderão escolher qualquer prato do menu do dia. Uma série de instituições da capital italiana ligadas à Igreja Católica abrirão também as suas portas para acolher os convidados de honra neste dia.
Esta iniciativa, que se celebra um pouco por todo o mundo, contou com uma forte adesão de inúmeras dioceses e abre uma semana particularmente densa do ponto de vista da pastoral social. De facto, antecede uma iniciativa também inédita no Vaticano, um encontro internacional  de organizações sindicais, subordinada ao tema “Da Populorum Progressio à Laudato Si” (e sobre a qual voltaremos a escrever aqui).

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Museu da Bíblia abre ao público em Washington

      

Abre este fim de semana ao público nos Estados Unidos da América o Museu da Bíblia, um gigantesco empreendimento instalado em blocos restaurados e ampliados que albergaram um grande complexo de refrigeração e armazenagem, não longe do National Mall, em Washington.


As reportagens sobre este novo equipamento dão conta de uma grande preocupação pela qualidade, pela dimensão educativa, pela capacidade de recriar ambientes análogos aos dos acontecimentos bíblicos evocados no Museu.  Além disso, os seus responsáveis reivindicam a mais completa coleção de objetos e de textos relacionados com a Bíblia e o seu impacto ao longo do tempo e em diferentes culturas.

Este Museu resulta da dedicação e financiamento de uma multimilionária família evangélica e terá tido um custo próximo dos 500 milhões de dólares. O proselitismo dos fundadores bem como os processos de aquisição de alguns dos objetos do Museu estiveram na origem de processos judiciais e de polémicas públicas.

Informação complementar:
[Crédito da foto: Essdras M Suarez /The Washington Post]

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Formação de presbíteros: testes, homossexualidade, modelos e comunidade

O documento O Dom da Vocação Presbiteral, da Congregação para o Clero, começa a ser debatido na assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, que a partir de hoje reúne em Fátima. Algumas notícias surgidas nos últimos dias destacaram a questão da homossexualidade e dos abusos (e dos respectivos testes psicológicos) como um dos temas do documento que, no entanto, trata muitas outras questões sobre a formação, integração comunitária e modelo de presbiterado.
Algumas dessas questões estiveram em debate esta manhã, no espaço de entrevista da Antena Um, que teve a participação de Rosa Novo, professora na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, e de mim próprio.
O debate pode ser ouvido aqui.

domingo, 12 de novembro de 2017

Os filhos dos padres

No Jornal de Notícias deste sábado, o padre Fernando Calado Rodrigues regressa ao registo de crónica semanal que já manteve em tempos. Sob o título “Os filhos dos padres”, escreve:

Nos primeiros séculos do cristianismo, embora se valorizasse a opção pelo celibato, ela não era impeditiva da ordenação. A comunidade gerava os seus líderes e escolhia os que poderiam presidir à eucaristia e perdoar os pecados. Um pouco como acontece hoje em algumas ordens monásticas, nas quais, de entre os seus membros, se escolhem os que possam assumir esse serviço aos irmãos, nunca entendido como uma promoção ou - o que é pior ainda - como o exercício de um poder vedado a outros, ou uma carreira.

A crónica pode ser lida na íntegra aqui.
Calado Rodrigues passará a escrever no JN todos os sábados, excepto o primeiro de cada mês.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Humanae Vitae, Amoris Laetitia e o "descongelamento" do Concílio


Entrevista de Luciano Moia ao bispo emérito de Ivrea, Itália, Luigi Bettazi, com quase 94 anos, considerado a última testemunha do Concílio.

Que relação existe entre a teologia da Humanae vitae e a expressada pelo Vaticano II?
 Esse era um dos temas que Paulo VI havia reservado para si. No Concílio, não foi possível falar de contracepção. Como se sabe, uma comissão se ocupou dessa questão. O papa ampliou a sua participação e, depois, assumiu a tese da minoria.

Por que essa escolha?
 Ele pensava que, talvez, deixando a possibilidade de discutir o tema no Concílio, surgiria uma linha que ele não compartilhava. No plano providencial, ele não considerava oportuno abrir modificações na teologia consolidada. Agora, 50 anos depois, pode ser que, ao contrário, chegou o momento de repensar a questão. Mas afirmar isso hoje não significa concluir que, na época, a decisão de Paulo VI não foi clara.

No entanto, foi atormentada. A própria escolha de abrir mais investigações depois do resultado da comissão não demonstra que o próprio papa sopesou longamente a questão?
Não podia ser diferente. Ele sabia que tanto a maioria dos Padres conciliares quanto da Comissão de Peritos pendia por um parecer mais nuançado em relação ao “não” que, depois, chegaria na Humanae vitae. Por isso, ele foi contestado tanto por muitos teólogos, quanto por muitas Conferências Episcopais.