quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Cáritas ajuda a Madeira

Pode associar-se à Campanha Cáritas Ajuda Madeira enviando um donativo:

1. Por transferência bancária, através da conta do Montepio Cáritas Ajuda a Madeira: NIB 00 3600 0099 1058 7824 394

2. através das Caixas Multibanco: Entidade: 33 333 e Referência: 333 333 333

3. através da Cáritas Diocesana da zona de residência.

4. para a morada da Cáritas: Praça Pasteur n.º 11 – 2º Esq. 1000-238 Lisboa.

5. ou entregando artigos como mobiliário, colchões, roupa de cama, atoalhados, cobertores, televisões… na Cáritas Diocesana da zona de residência.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Bíblia, mulheres, vida



Apresentação 12 de Março

Alzira Fernandes, Helena Martinho, Isabel Varanda, Luísa Alvim e Teresa Toldy são as cinco mulheres que vão apresentar os retratos bíblicos de mulheres vivas, a partir do livro "Vives, femmes de la Bible" [André Wénin, Camille Focant e Sylvie Germain]. Esta apresentação contará com a participação do Coro da Associação de Pais do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, o Coro da Igreja de São Victor do arciprestado de Braga e da Orquestra de Câmara do distrito de Braga, sob a direcção do Maestro António Baptista. Acontecerá a 12 de Março, no Auditório Vita, em Braga

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Lanza del Vasto evocado em Lisboa esta terça-feira


Para assinalar o pré-lançamento da edição portuguesa da obra chave de Lanza del Vasto, "Peregrinação às Fontes", realiza-se esta terça-feira, 23, às 18h00, um encontro sobre "Não Violência, Guerra e Paz". A iniciativa decorre no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa (R. António Maria Cardoso, 68, ou Largo do Picadeiro, ao Chiado).

Nesta sessão evocativa do discípuolo de Gandhi, participam frei Bento Domingues, Jorge Leandro Rosa, Luís Lopes, António Cândido Franco, Mário Cruz e diversas pessoas ligadas à problemática da não-violência e aos Amigos da Arca, comunidade fundada em França por Lanza del Vasto, e que em Portugal ficou conhecida também pelas referências a ela feitas, e ao seu fundador, por António Alçada Baptista.

O debate e pré-lançamento do livro vêm na sequência da acção de Manuela Bio Lourenço, dos Amigos da Arca e da ALOOC - Associação Livre de Objectoras e Objectores de Consciência desde os anos 1970-80. Lanza del Vasto esteve em Portugal em Abril de 1978 (e de novo em 1979), proferindo conferências em Lisboa, Porto, Coimbra e Évora, e despertando grande afluência e interesse. Informações sobre o livro podem ser encontradas aqui .

sábado, 20 de fevereiro de 2010

No princípio, cinzas

No dia em que assistimos, de novo impotentes, à fúria dos elementos, vale a pena ler esta crónica, escrita para Quarta-feira de Cinzas, início da Quaresma para os cristãos. Este domingo é, liturgicamente, o primeiro domingo da Quaresma.

“Teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.”
(Mateus 6, 6)

Ao pensar em cinzas vejo, em primeiro lugar, os rostos fantasmagóricos do 11 de Setembro após a destruição das torres gémeas em Nova Iorque. Ou, mais recentemente, os escombros de Port-au-Prince, no Haiti, e os rostos angustiados de tantas crianças. São um limite, as cinzas. Uma fronteira, da qual é difícil ou impossível voltar. São a destruição a revelar como a matéria é frágil e passageira. São o mistério do tempo que transforma em aparente nada aquilo que se julgou tudo. E entre o nada e o tudo cá vamos escrevendo o existir, criando e recriando, na esperança de que o que é verdadeiramente importante nunca será cinza, antes estrela!

Nestas terras das Beiras, onde é sempre tão bom voltar, mesmo quando o lume se apaga, e fica o “borralho”, às vezes, encontram-se brasas que são como sementes para outros fogos. Basta um sopro para as avivar, e um pouco mais de lenha para tudo se reacender. E das cinzas se faz adubo para a terra que irá acolher as sementes. E também barrela para branquear a roupa. Há um fogo que permanece vivo até nas cinzas.

Começamos a Quaresma com o sinal das cinzas. E um outro, tão idêntico, se seguirá: o deserto. O primeiro, sinal de um fim; o segundo, lugar onde o fim parece o mais provável. E, contudo, também é possível encontrar vida e beleza no deserto. Bastaria lembrar a deliciosa frase do Principezinho: “O que torna belo o deserto, é que ele esconde um poço em qualquer lado…” Há um caminho a percorrer a partir de novas cinzas e por novos desertos. Um caminho que nos chama a vencer a instalação e o desencanto, os erros passados e os medos futuros. Que pede para olhar cada fim como um novo princípio, cada derrota como uma sabedoria adquirida. A derrota que se chama pecado e também desilusão, a derrota que se chama doença, e também desemprego, e até injustiça. A derrota feita por mim e aquela que outros teimam em fazer. Como cinzas que se espalham no caminho. Espalham-se porque caminho. E caminho acompanhado.

É preciso não esquecer a condição original de sermos moldados a partir da terra pelas mãos hábeis e ternas de Deus. E, por isso, receber este pedaço de cinza sobre a cabeça, reclama reacender o fogo. É cinza que não é fim, mas princípio. E quantos princípios estão desejosos de começar em nós? E à nossa volta? E nas comunidades, também às vezes cinzentas, a que dizemos pertencer? Que princípio de fogo traz para mim a cinza deste dia?

(Texto do padre Vítor Gonçalves; foto copiada daqui)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Bento Domingues: Para a Quaresma

Bento Domingues, no "Público" de 14 de Fevereiro de 2010, comenta a carta ao Papa do jesuíta Henri Boulad, critica os que dizem que “fora da paróquia – ou do seu grupo - não há salvação” e lembra que a Quaresma é um período “dedicado à revisão dos critérios de vida de nós todos”.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Hora Zero

Hora Zero, artigo publicado na SIC Online


Na espuma dos dias – destes dias –, porque se espanta Eduardo Lourenço com Bento XVI?

Numa conferência promovida pela Comissão Nacional Justiça e Paz, no auditório do ISEG, em Lisboa, o filósofo e ensaísta Eduardo Lourenço registou o (des)enquadramento mediático de Bento XVI. No tempo da palavra jornalística, “tempo da repetição e não da inovação nas palavras”, é difícil enquadrar a palavra da Igreja, ou de um Papa que por hábito “não repete as ideias”. Por outro lado, entende Eduardo Lourenço, não se pode esperar que a Igreja diga “algo que nunca ninguém ouviu”. Embora a palavra acompanhe o percurso da história e ganhe, em cada momento da história, o carácter da intervenção humana, Bento XVI não pode ser progressista pois vê-se como “guardião de uma palavra que não tem tempo e não lhe pertence”. A Igreja sediada em Roma não é uma monarquia hereditária, mas transporta uma palavra que “flui com a história” alicerçada numa doutrina.

Assumindo ser um “atrevimento”, o ensaísta aceitou o convite da CNJP para analisar a encíclica social de Bento XVI – Caritas in Veritate –, enquadrando-a num tempo de “pura magia, paraíso, sonho e desejo”, mas também “indigente” com a “fome e carências, diante do esplendor e da riqueza pessoal”. Não sendo uma religião de eleitos, o cristianismo nem sempre tem respondido “às exigências do Amor” e a tradição assistencialista da Igreja Católica está ainda por “purificar”. Num exercício de memória, Eduardo Lourenço sustenta que a preocupação da Igreja Católica pelo “social” nasceu como contestação da carência histórica do ocidente. Ressentida com a revolução iluminista “levou tempo a integrar o imperativo social dos tempos modernos”. A nova encíclica social reconstrói a Doutrina Social da Igreja, num texto “nada reaccionário”, a relembrar que o destino do Homem é um só, “temporal e espiritual”.

“Espanta que numa época tão ensombrada como a nossa – embora sem o carácter trágico do último século –, Bento XVI aborde todas as questões numa tónica de serenidade intemporal”, apesar da radicalidade alemã digna de um discípulo de Heidegger.

Poucos, como Joseph Ratzinger, têm consciência de como a Igreja conheceu um “processo de obscurecimento, tantas vezes provocado também por ele, antes e depois da sua eleição” para a cadeira de Pedro.

Contemporâneo de vários teólogos, que – como Henri de Lubac – dedicaram memoráveis estudos ao “humanismo ateu”, e não tendo meditado menos sobre a “morte de Deus” profetizada por Nietzsche, Bento XVI é um Papa preocupado com a “alienação e desertificação” do divino. A apologética distingue-se por visar o ateísmo de forma polémica, “mas não há polémica na hermenêutica de Bento XVI”.

Na análise de Eduardo Lourenço, Bento XVI tem um estilo “suave e elegante”, “original, profético e místico”, numa “cândida audácia” que regressa à “hora zero”. Uma catequese papal num tempo “aproblematicamente” crente, “a mais consoladora das cegueiras”.

Neste retorno ao “essencial” faltará a abertura, a disponibilidade para ver, sem preconceitos, os “sinais do tempo” que não se repetem, que reclamam da Igreja a coragem de uma mudança. Não estando esta mudança exclusivamente nas mãos do Papa ou da estrutura hierárquica, o “essencial” impõe o requisito da criatividade. Os fundamentos evangélicos acentuam a disponibilidade para um acolhimento do diferente e da diferença, sem com isso impor o imobilismo fundamentalista. Com a deriva secularista a baralhar a laicidade, a ortodoxia – uma certa teimosia ritualista e doutrinária – pode ser útil, confortável perante as incertezas sociais e da prática de fé. Mas é precisamente na dimensão secular, no vigor da laicidade, que a religião pode encontrar os mecanismos que a reforçam como “essencial” e relevante nas estruturas sociais e políticas, dando sequência a um processo histórico com erros acumulados.
Pragmaticamente, citando Eduardo Lourenço, o “humanismo somos nós” e “não somos o sujeito do Amor, é ele que desce e se humilha”.


Joaquim Franco

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Seis mil pessoas aguardadas para encontro de Taizé no Porto

Seis mil jovens de 25 países estarão no Porto para passar o Carnaval a rezar. Entre os dias 13 e 16, os participantes respondem assim à convocatória dos irmãos de Taizé, comunidade ecuménica no Sudeste de França, que reúne monges de diferentes tradições cristãs e nacionalidades.

As inscrições de participantes ultrapassaram largamente as expectativas. "Há um grande envolvimento na preparação e um grande entusiasmo, mesmo da parte de grupos que nem sequer conheciam Taizé", disse ao "Público" o irmão David, o único português que integra a comunidade de Taizé, fundada em 1940 pelo pastor calvinista Roger Schutz.

O actual prior da comunidade, o irmão Aloïs, estará presente no encontro, vindo directamente de um encontro nas Filipinas, que terminou hoje em Manila. Haverá mais seis membros da comunidade a animar a iniciativa de Taizé no Porto - que sucede ao encontro europeu de Lisboa, decorrido em Dezembro de 2004.

Durante os dias do encontro, haverá debates e workshops sobre a economia (este decorre na Bolsa do Porto), combate à pobreza, ciência e fé ou modos de aprender a rezar a partir da arte (ícones, órgãos de tubos ou igrejas barrocas do Porto, por exemplo). A bioética, a vocação missionária, o ecumenismo ou o apoio ao Haiti são outros temas previstos. A partir das 16h, em vários locais da cidade, os workshops são abertos à participação de qualquer pessoa, mesmo não inscrita (o programa está aqui).

No centro da iniciativa estarão também os tempos de oração – de manhã, nas paróquias de acolhimento e, às 14h15 de segunda-feira, nas igrejas de S. Lourenço, S. Bento da Vitória, Trindade e S. João Novo, abertos a toda a população. Ao fim da tarde de domingo e segunda, os participantes reúnem-se também no pavilhão Dragão-Caixa, para jantar e fazer uma vigília de oração, sempre ao ritmo de Taizé: cânticos de frases simples, com melodias que se apreendem rapidamente e que são repetidas em coro. À semelhança do que já aconteceu na semana que agora finda, a partir de amanhã, segunda, uma oração diária decorre já na Igreja das Taipas, às 19h (pode ser seguida aqui).

Os 3500 participantes – portugueses, espanhóis, polacos, franceses, alemães e jovens de outros países – serão acolhidos por 900 famílias em 39 paróquias – incluindo paróquias protestantes da cidade. Aos jovens e às famílias, juntam-se ainda mais de 600 voluntários. A organização está ainda a aguardar boas condições para que os jovens possam utilizar os transportes públicos da cidade.

Com o tema “Procurar juntos as fontes da alegria”, o encontro inicia-se sábado, com o acolhimento dos jovens a partir das 11h00. Às 18h00, um fórum musical com cantos tradicionais de diferentes regiões portuguesas antecede o jantar e uma vigília de oração.

(Notícia publicada hoje no Público, aqui aumentada; foto copiada do site o encontro)

Bento Domingues: "Uma inesgotável escola de espiritualidade"

sábado, 6 de fevereiro de 2010

As igrejas do século XXI são caixas, brancas e minimais


(Foto: fachada da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, ou do Senhor Jesus, em Munique)

No Público/P2 de hoje, publiquei um trabalho a propósito de uma exposição que hoje foi inaugurada em Lisboa, sobre arquitectura de igrejas na Alemanha. A exposição "Made in Germany - Arquitectura + Religião" está no Museu Nacional de História Natural (Sala do Veado) - Rua da Escola Politécnica, 58, em Lisboa (de terça a sexta, 10h-17h; sábado e Domingo, 11h-18h; até 28 de Fevereiro).

De linhas direitas, depuradas, modulares como conjuntos de caixas de vários tamanhos. Esta pode ser a tendência da arquitectura de igrejas para o século XXI. Uma exposição em Lisboa mostra edifícios religiosos alemães e põe em diálogo arquitectos e teólogos

Uma igreja deve ter um eixo central ou uma forma circular? Tem de afirmar-se na paisagem ou ser discreta? Deve colocar em diálogo a arquitectura e outras artes ou depurar a linguagem simbólica? Tem de preencher o espaço ou esvaziar-se? O arquitecto João Alves da Cunha analisou igrejas construídas nesta primeira década do século XXI, em Portugal, e descobriu uma tendência: "O minimalismo cúbico, branco, em betão, numa caixa ou composição de caixas, simples."

Pode estar descoberta a tendência na arquitectura de igrejas para este início de século depois de décadas de oscilação. Entre as que se diluíam na cidade ou as monumentais, entre as modernas e as neogóticas, entre as longitudinais e as circulares, as igrejas têm vagueado à procura de uma linguagem contemporânea.

Mesmo que essa linguagem se traduza em modelos diferentes - cada desenho pode revelar também diferentes concepções teológicas. Made in Germany - Arquitectura + Religião, a exposição que é hoje inaugurada no Museu de História Natural, em Lisboa, sobre novos edifícios religiosos na Alemanha (igrejas, crematórios e uma sinagoga), faz um ponto de situação da nova arquitectura religiosa alemã.

Porquê a Alemanha? "Está sempre um passo à frente, na arquitectura e na teologia", diz João Alves da Cunha, responsável, com o arquitecto e padre jesuíta João Norton, pela vinda desta exposição a Portugal.

Nesse sentido, os projectos, maquetas e fotos que agora podem ser vistos no museu são reveladores de algumas tendências que marcam as igrejas contemporâneas. Alves da Cunha cita mesmo directrizes recentes do episcopado católico alemão, em relação ao que (não) devem ser as igrejas: "O modelo processional não é o caminho a seguir", cita o arquitecto português, referindo-se ao desenho longitudinal: duas filas de bancos, altar ao fundo destacado, como um palco onde se desenrola um espectáculo ao qual se assiste.

As normas dos bispos alemães não apontam a estética a seguir. Essa é deixada à criatividade dos autores. Aliás, apesar de contrariar os desejos do episcopado germânico, uma das obras mais espectaculares que se pode ver na exposição - a Igreja do Senhor Jesus, em Munique (Allmann, Sattler e Wappner) - adopta mesmo o desenho do eixo central processional.

A igreja chama a atenção por vários pormenores: as duas portas gigantescas que ocupam toda a fachada, a concepção de uma caixa de madeira (o espaço de celebração) dentro de uma caixa de vidro (o exterior), o deambulatório entre a madeira e o vidro. Ou ainda a via-sacra que, em vez de ser feita com cruzes, pinturas ou pequenas esculturas, como é habitual, é representada em fotografia.

Nas últimas décadas, o espaço da celebração foi sendo despido de escultura ou pintura, optando apenas, de vez em quando, pela representação do santo padroeiro e/ou de Nossa Senhora. Por isso predominam, nas edificações das últimas décadas, edifícios mais vazios. A utilização da fotografia nesta igreja de Munique recoloca a questão do uso da arte contemporânea no espaço religioso, que se pretende cada vez mais depurado por contraste com o ruído da imagem que nos cerca por todo o lado, diz João Alves da Cunha. O que deveria levar ao debate também sobre a função e o lugar da imagem no espaço sagrado, acrescenta João Norton.

No caso da igreja de Munique, o seu desenho longitudinal foi o que mais polémica provocou no projecto, diz Alves da Cunha. Mas ela tem outra particularidade: pode ser convertida em sala de concertos, para escutar o grandioso órgão colocado sobre a entrada, virando apenas as costas dos bancos.

Crematórios e sinagoga

A exposição foi preparada pelo Goethe-Institut de Munique. Mostrando edifícios projectados e construídos entre 1998 e 2004, passou já por cidades como Brasília, Atenas, Nairobi, Toulouse, Kiev, Bruxelas, Caracas, Casablanca e Banguecoque. Lisboa é a penúltima escala, antes de Madrid.

Entre os nove projectos expostos estão dois crematórios, uma casa de retiros e uma sinagoga judaica. Um dos edifícios (agora igreja de um mosteiro) começou por ser o pavilhão inter-religioso na Expo de Hanôver 2000.

Há ainda uma igreja que é metade católica, metade protestante e pode ser convertida num espaço comum para celebrações ou iniciativas conjuntas. O ecumenismo é outro tema em que os alemães estão na frente. E, além da nova Sinagoga de Dresden (2001), vale a pena reparar ainda na Capela da Reconciliação, uma casca de madeira em ovo, edificada em 2000 em cima da linha onde passava o Muro de Berlim e onde antes tinha estado outra igreja.

O programa da exposição prevê a vinda de um teólogo e quatro arquitectos alemães a Portugal para a realização de um colóquio, onde estarão também arquitectos e teólogos portugueses. Será no dia 20, no Goethe-Institut de Lisboa, a partir das 9h00.

Nos dias imediatamente antes do colóquio, os autores de alguns dos edifícios que podem ser apreciados na exposição de Lisboa irão conhecer igrejas construídas recentemente em Portugal e dialogar com os seus autores.

O périplo começa na Capela de São José (Quebrantões, Gaia, de José Fernando Gonçalves) e prossegue no Marco de Canaveses (Igreja de Santa Maria, de Siza Vieira), antes de culminar, na etapa nortenha, com um encontro aberto na Casa da Música, na noite de dia 17.

Em Fátima, serão visitadas a igreja do convento dos dominicanos (Luís Cunha) e da Santíssima Trindade (Alexandros Tombazis) e, em Portalegre, a Igreja de Santo António (Carrilho da Graça). A 19, em Évora, o Museu de Arte Sacra, do mesmo autor. E, em Lisboa, a igreja do convento dos Dominicanos, da dupla João Paulo Providência e José Fernando Gonçalves.

Um outro itinerário será hoje mesmo proposto pelo Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa, com uma visita a quatro igrejas da capital: Sagrado Coração de Jesus, de Nuno Portas e Nuno Teotónio Pereira (onde o programa se inicia, às 10h30, com duas conferências dos arquitectos José Manuel Fernandes e João Alves da Cunha), Nossa Senhora de Fátima (Pardal Monteiro), Moscavide (João D"Almeida) e Convento Dominicano.

Impossível ignorar a polémica recente sobre a futura Igreja de São Francisco Xavier, em Lisboa, do arquitecto Troufa Real. João Alves da Cunha e João Norton desvalorizam o projecto e a concepção. Diogo Lino Pimentel, do Secretariado das Novas Igrejas do Patriarcado de Lisboa, diz que é à comunidade de católicos daquela paróquia que compete decidir se quer uma igreja assim. "Uma igreja não se deve impor à cidade, mas propor-se à cidade", afirma.

Uma carta demolidora ao Papa

No DN de hoje, Anselmo Borges cita uma carta aberta do padre Henri Boulad ao Papa, que coloca questões pertinentes sobre o presente e o futuro da Igreja. Escreve:

O autor da carta, Henri Boulad, 78 anos, é um jesuíta egípcio de rito melquita. Não é um jesuíta qualquer: há treze anos que é reitor do colégio dos jesuítas no Cairo, depois de ter sido superior dos jesuítas em Alexandria, superior regional, professor de Teologia no Cairo. Conhece bem a hierarquia católica do Egipto e da Europa. Visitou quarenta países nos vários continentes, dando conferências, e publicou trinta livros em quinze línguas. A sua carta, inspirada na "liberdade dos filhos de Deus" e a partir de "um coração que sangra ao ver o abismo no qual a nossa Igreja está a precipitar-se", funda-se, pois, num "conhecimento real da Igreja universal e da sua situação actual".
A carta tem três partes: a presente situação, a reacção da Igreja, propostas.

O texto integral pode ser lido aqui.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Jornal gratuito de inspiração católica surge em França



Dois profissionais da imprensa juntaram uma equipa de doze pessoas e acabam de lançar em França o mensário católico gratuito «L'1visible"» (um jogo entre o invisível e o "um visível" ou "o primeiro tornado visível").
Preconiza uma informação acessível, positiva, pedagógica e sensível às questões espirituais e demarca-se da lógica de muitos gratuitos de uma informação ligeira, visual, de 'zapping'.
Surge editorialmente próximo e em colaboração com as publicações católicas Magnificat, Il est Vivant, La Vie.
Refere, por outro lado, adoptar uma atitude de cumplicidade e "não crítica" relativamente à Igreja.